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Auto-Retrato

Para as meninas.

O meu cabelo gosta de andar seco, sente o sabor do vento e conversa com o sol. É puro. Os meus dentes são cuscos. Os meus olhos sinceros e o nariz inspira e sente tudo. As minhas mão sujas, trabalhadoras e meigas. Eles que aguentam sempre comigo, acompanham-me nas caminhadas, os pés. O meu rabo venera orifícios. Um pelos vistos não lhe chega. A minha barriga adora comida. A lágrima no canto do meu olho promete choros… Se eu sou como quero, porque não dar-lhes o prazer de sentir o mesmo. Porque não sorrir e acariciar-lhes todos os dias. Não constituimos um ser humano perfeito, mas feliz.

“Once I wanted to be the greatest.”

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Por Carolina Pinho

Frases soltas

O laser das tuas palavras rasgam-me o “lado lateral” do cérebro.

É porque ainda sou pequena, de certeza.
Porque ainda julgam que o sou, obviamente.
Seu eu fosse como vocês, eu havia de o ser,
Mas como não sou…
Não passo sequer do eu própria, de certeza.
Obviamente eu, pronome pessoal. Só.

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 Analógica. Fotografia: Carolina Pinho

Frases soltas

A verdade é que o miúdo convencidíssimo que se estava a esconder, envergonhado, apenas tinha as mãos a tapar os olhos.

“Veio uma onda . A varrer o meu sono .

Caminhava nele como caminho na areia .

Nada me une ou divide. Nada me retém.

Sentas-te onde me sento no teu colo

e peço sempre a mesma história . A tua voz

cria as memórias que hei-de ter . Por agora

caminho ao longo das gaivotas e grito como elas

quando a maré baixa . Às vezes apoio-me num rochedo

para dizer “casa” e logo desmorono. Sigo descalça

como tu para dizer “seguimos”. Mas são apenas sons

sob o sol de maio. Murmúrios do que não serei.

Sempre tive problemas com o verbo ser. Faço

e desfaço as malas, entro e saio das gavetas.

Pausa na camisa que vestiste da última vez.

Uma vontade de a amarrotar, desapertar os botões

e sentir lá dentro a tua pele cá fora.

Tudo isto é tão verdade como podem ser os botões

de uma camisa escrita. Confesso que não pensei na cor,

ou se era às riscas. Agora acho que podia ser a de quadrados.

Em qualquer delas a tua pele entra na minha.”

Rosa Alice Branco

Alice Russell

Escrever e escrever.
Escrever?
Sentir, imaginar e descrever.
Um trio.
Trio entre mim, o lápis e o papel.
Uma cumplicidade poucas vezes admitida e muitas omitida.
Um tornado de sentimentos pessoais,
Uma força interior passada para o exterior.
Assim exteriormente incompreendida, ou não.
Escrever e escrever.
Escrever?
…Descrever.

Gabriela Moura

“Era uma vez…

Começavam sempre assim as histórias que me contavam em criança.
De encantar diziam…
- Bruxa gigante lobo mau e papão.
- Caçador jogador e muito vilão.
De história em história, fui sentindo que me tinham andado a enganar quando descobri que no fim, quem comia sempre a princesa, era afinal o príncipe encantado, que ainda por cima lhe fazia muitos meninos e, além disso, também cedo percebi que afinal, nem sequer existia o bondoso pai natal!

Porque raio passamos a vida a enganar as criancinhas?”

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É simples para quem gosta,
Difícil para quem não lê. 
Um hábito, uma droga,
Insignificante para quem não vê. 

Frases soltas

Há sempre uma verdade que nos ensina a amar as coisas.

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