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O meu cabelo gosta de andar seco, sente o sabor do vento e conversa com o sol. É puro. Os meus dentes são cuscos. Os meus olhos sinceros e o nariz inspira e sente tudo. As minhas mão sujas, trabalhadoras e meigas. Eles que aguentam sempre comigo, acompanham-me nas caminhadas, os pés. O meu rabo venera orifícios. Um pelos vistos não lhe chega. A minha barriga adora comida. A lágrima no canto do meu olho promete choros… Se eu sou como quero, porque não dar-lhes o prazer de sentir o mesmo. Porque não sorrir e acariciar-lhes todos os dias. Não constituimos um ser humano perfeito, mas feliz.
“Once I wanted to be the greatest.”
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O laser das tuas palavras rasgam-me o “lado lateral” do cérebro.
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A verdade é que o miúdo convencidíssimo que se estava a esconder, envergonhado, apenas tinha as mãos a tapar os olhos.
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“Veio uma onda . A varrer o meu sono .
Caminhava nele como caminho na areia .
Nada me une ou divide. Nada me retém.
Sentas-te onde me sento no teu colo
e peço sempre a mesma história . A tua voz
cria as memórias que hei-de ter . Por agora
caminho ao longo das gaivotas e grito como elas
quando a maré baixa . Às vezes apoio-me num rochedo
para dizer “casa” e logo desmorono. Sigo descalça
como tu para dizer “seguimos”. Mas são apenas sons
sob o sol de maio. Murmúrios do que não serei.
Sempre tive problemas com o verbo ser. Faço
e desfaço as malas, entro e saio das gavetas.
Pausa na camisa que vestiste da última vez.
Uma vontade de a amarrotar, desapertar os botões
e sentir lá dentro a tua pele cá fora.
Tudo isto é tão verdade como podem ser os botões
de uma camisa escrita. Confesso que não pensei na cor,
ou se era às riscas. Agora acho que podia ser a de quadrados.
Em qualquer delas a tua pele entra na minha.”
Rosa Alice Branco
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“Era uma vez…
Começavam sempre assim as histórias que me contavam em criança.
De encantar diziam…
- Bruxa gigante lobo mau e papão.
- Caçador jogador e muito vilão.
De história em história, fui sentindo que me tinham andado a enganar quando descobri que no fim, quem comia sempre a princesa, era afinal o príncipe encantado, que ainda por cima lhe fazia muitos meninos e, além disso, também cedo percebi que afinal, nem sequer existia o bondoso pai natal!
Porque raio passamos a vida a enganar as criancinhas?”
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É simples para quem gosta,
Difícil para quem não lê.
Um hábito, uma droga,
Insignificante para quem não vê.
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Há sempre uma verdade que nos ensina a amar as coisas.
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